16 cm

Fui cortar o cabelo. Eu pedi para cortar aproximadamente 8 cm (apontei. Disse que queria cortar “por aqui”). Os outros 8cm foram pela “inspiração” da cabeleireira.

Agora é só esperar meio ano para ter o cabelo pelo comprimento que achava que já ia ter ontem.

A tentar um equilíbrio

Como mencionei na minha primeira publicação, antes deste blog tive outro durante 4 anos (2013-2017). Na altura conseguia ter 4 publicações por semana (segundas, quartas, sextas e domingos). Para além de diário, falava imenso sobre maquilhagem – é algo de que gosto muito – e também tinha uns tópicos relativos à minha área de formação, e outras coisas que gosto, como livros, filmes, etc.
Quando comecei esse blog em 2013 era uma miúda, solteira, a viver na casa dos pais. Eu era outra pessoa e os meus interesses eram outros. Em 2017 comecei a sentir que a paixão que tinha neste escape já não era igual. O que agora vejo que era uma fase em que andava mais negativa com a vida, na altura pensava que o blog não era bom, que não prestava, não tive calma e apaguei o blog todo. Tudo! Fiquei apenas com a agenda de publicações que fiz na altura.

Entre 2017 e 2019 tive dois anos muito exigentes a nível de trabalho. Tinha dias de 12 horas de trabalho, algumas semanas a trabalhar sábados também. Eu sentia que o bichinho ainda cá estava, sentia falta destes momentos em que me preparo para vir aqui escrever um pouco, mas estava tão, mas tão cansada, que não conseguia mesmo arranjar tempo para gerir isto (não sei se já repararam, mas eu só do tipo de pessoa que quero tudo bem feito. Se as coisas estão um pouco ao lado do que eu quero, prefiro deitar tudo abaixo e começar de novo. Não sou muito pessoa para andar com remendos). Ainda tentei, mas basta ir ao histórico do blog para verem que em 2019 tive 6 publicações. Isso foi eu a tentar.

Agora em 2020 a vida mudou. Eu sei que em 2020 a vida mudou para todos, mas a minha mudança não se deve só ao Covid. Um conjunto de outras coisas mudaram, e agora sinto-me melhor, mais centrada, e isso reflete-se na cabeça que tenho para fazer as coisas que gosto. O também ter tempo para pensar em ideias, estruturar uma agenda, e fazer uma coisa de qualidade razoável também ajuda. Até criei uma conta de Instagram, vejam lá.

Acho que com isto tudo quero dizer que estou muito feliz por voltar a fazer algo que me dá uma satisfação pessoal muito grande. Já tenho muita coisa pensada para 2021. Quando não andamos a correr em piloto automático, a inspiração surge. E quero fechar com uma nota que serve para mim também: se tiverem um blog, um diário, um projecto no qual investiram 4 anos da vossa vida, não o terminem só porque estão numa fase menos boa. Se puderem, esperem um tempo para tomar uma decisão mais definitiva. As fases passam, e agora olho para trás e fico com um bocadinho de pena. O blog da altura até tinha umas publicações boas, que poderia voltar a partilhar agora aqui. Aprendam com os meus erros. Não apaguem.

Resignação

A passagem de ano já lá vai, o ano que começou há +/- 2 meses já não é assim tão novo, e já há por aí muito boa resolução que nesta altura já foi pelo ar.
Eu sou assim todos os anos com alguma coisa que decidi na loucura do ano novo. Há sempre dois ou três objectivos que não chegam a ver Fevereiro. Depois já para Junho, quando tomo consciência que o ano já vai a meio e começo a pensar na evolução que dei às coisas em meio ano, ando em baixo uns dois ou três dias porque não vou ser a pessoa que queria ser Janeiro. Este ano já deixei-me destas coisas:

Exercício Físico
Na teoria eu quero fazer exercício físico. Eu pesquiso ginásios, vejo as aulas que têm, os horários das mesmas, a que distância estão da minha casa, etc., mas depois quando chega ao momento de me comprometer, sei que vou ter uma despesa mensal da qual não vou usufruir porque eu não gosto de fazer exercício físico. Mentalmente quero fazer exercício físico, mas na verdade não gosto nada disso, e acabo por não fazer.
Em troca, gosto de andar. Gosto de fazer caminhadas e tento dar os 10.000 passos diários da praxe. Nem todos os dias consigo, mas tento sempre compensar isto de alguma forma.
Este ano troquei um pouco as coisas. Não vou obrigar-me a começar a correr ou a inscrever-me num ginásio, mas em contrapartida tenho de andar mais, e comprei pesos de 2kg daqueles de prender nos tornozelos para aumentar o grau de dificuldade (eu sei que não é uma troca equivalente, mas nesta fase prefiro este sistema do que não fazer nada).

Beber um litro de água por dia
Eu nunca tenho sede, como é que me vou lembrar de beber água?
Sim, já pus uma garrafa de água em cima da secretária para me lembrar/obrigar, mas a garrafa fica ali uma semana até que finalmente a termino.
Sim, já descarreguei aplicações para me lembrarem que tenho de beber água.
Nada funciona. Nesta fase a rotina que tenho é beber dois copos de água antes de ir para a cama, e tento beber mais alguma coisa quando vou à cozinha por alguma coisa e passo pelo garrafão, mas de longe não é um litro.

Ir para a cama cedo/dormir 7 horas
Decerto que alguém que está a ler isto irá perceber o que estou a explicar. Eu tenho naturalmente mais energia/estou mais desperta à noite. Sempre estudei melhor à noite, tudo o que exige concentração prefiro fazer depois das 19h00 porque é quando é mais fácil para mim executar este tipo de tarefas. Imaginem o que é ter de ir para a cama às 22 ou 23h00 quando a animação acabou de começar. É difícil. Ou estou a fazer alguma coisa que me aborrece ou então quando dou por ela já é 00h00/01H00 e no dia seguinte vou sofrer porque sei que vou ter um dia difícil pela frente.

Agora que estava a reler o que escrevi acima para corrigir erros, percebo que tudo junto dá a entender que vivo um estilo de vida trágico, mas não é nada assim. Eu funciono, e as coisas à minha volta também, mas penso sempre que seria bom fazer estas coisas, que eventualmente poderia sentir alguma melhoria. Prefiro trabalhar à volta do que tenho, do que ter uma mentalidade de “nunca vou assim, então mais vale desistir já”.

Desse lado, qual é a resolução que tomam mas que nunca concretizam?

Não é difícil tomar decisões. O difícil é executa-las.

Pensar naquilo que queremos é fácil, provavelmente até o fazemos todos os dias. Dar os passos que precisamos para ficarmos perto disso é mais complicado, mesmo que na meta esteja algo que queremos muito.

Estou neste emprego há dois anos. Gosto muito do trabalho que faço, e gosto muito das minhas colegas, mas estou muito cansada das condições. Atingi o meu limite em Maio de 2018. Nessa altura disse para mim mesma que me iria despedir em Agosto. Agosto passou, e então iria despedir-me em Novembro. Novembro passou e nada.

No final de Outubro tive de ir ao médico. Comecei a detetar umas particularidades de saúde que em 30anos (+/-) nunca tinha tido, e decidi que apesar de não ser nada de grave tinha de ver um especialista. Vou ao médico e venho com um diagnóstico: stress. Aquilo pelo qual estava a passar era uma reacção do corpo à pressão que estava a sentir no meu emprego. Apesar de ter trabalhado sempre com pressão agora o corpo estava a reagir de uma forma um pouco atípica, e no natal o diagnóstico confirmou-se: duas semanas e meia de férias e não tive sintoma algum. Ao fim da primeira semana de regresso ao trabalho voltou tudo ao mesmo.

Se já queria vir embora, isto reforçou ainda mais a minha vontade. Fazer o que se gosta, e ter uma equipa de quem se gosta muito afinal não é tudo. Apesar da pressão, das coisas que diz, de sentir que exige o impossível com o tempo e condições que dá, gosto da minha chefia, e isto só me prejudica. Sei que vai ser difícil encontrar alguém que me substitua (e que aceite fazer o que eu faço pelo salário que me paga), e isso fez com que só em Janeiro deste ano informasse a empresa de que iria sair. Demorei 8 meses a executar uma decisão que já tinha sido tomada. A última semana foi para ganhar coragem e preparar o que iria dizer. Quando digo que não foi fácil para mim despedir-me, não foi mesmo, mas tudo correu bem. A chefe acatou bem (percebi por outra colega que ela acredita que eu ainda vou mudar de ideias) e agora voltei a estar entusiasmada com as possibilidades que tenho pela frente.

Em Março saio da empresa (decidi dar um aviso um pouco superior para toda a gente ter tempo para se organizar), e o meu objectivo é ter um mês para descansar e pensar que caminho quero seguir a nível profissional.